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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A Canção da Mente

Hsin-ming por Niu-t'ou Fa-jung (594-657)

A natureza da mente é não-surgimento;
Que necessidade há de conhecimento e visões?
Originalmente, não há um único fenômeno;
Por que discutir inspiração e treinamento?

Vindo e indo sem início;
Ao ser procurada, não é vista.
Não há necessidade de fazer coisa alguma;
É brilhante, calma, auto-aparente.

O passado é como o espaço vazio;
Conheça qualquer coisa e o princípio básico é perdido.
Lançando uma luz clara sobre o mundo,
Iluminando, porém obscurecida.

Se a mente unidirecionada for impedida,
Todos os fenômenos serão mal compreendidos.
Vindo e indo assim,
Há necessidade de investigação completa?

Surgindo sem a marca do surgimento,
Surgimento e iluminação são o mesmo.
Desejando purificar a mente,
Não há mente para o esforço.

Através do tempo e do espaço, nada é iluminado;
Isto é o mais profundo.
Conhecer os fenômenos é não-conhecer;
Não-conhecer é conhecer o essencial.

Usando a mente para manter a quietude,
Você ainda falha em deixar a doença.
Nascimento e morte esquecidos —
Esta é a natureza original.

domingo, 24 de abril de 2011

Meditação ou Atenção

A Essência do Budismo

A prática da plena atenção denomina-se trenpa em tibetano, o que literalmente significa ‘lembrança’. Antes que a percepção surja na meditação, o meditador precisa aprender a concentrar a mente, o que é obtido pela prática da plena atenção. Usamos um objeto específico para praticar a plena atenção. Quando esta é praticada por um certo período de tempo, a percepção surge como um produto da plena atenção.

Quando tivermos conseguido fazer isso com certo sucesso, passamos a usar a própria mente como objeto da meditação. Tentamos estar atentos aos pensamentos e emoções à medida que surgem, sem rotulá-los nem julgá-los; simplesmente observando-os. À medida que a observação prossegue, a plena atenção se transforma em percepção. Assim, se surgirem distrações, a pessoa se apercebe delas; se o embotamento ou torpor estiver presente na mente, a pessoa apercebe-se da presença. Com a prática da meditação da tranquilidade, a mente torna-se mais estabilizada.

Quando contemplamos a própria mente e a deixamos em seu estado natural, além da estabilidade mental, deve surgir também uma sensação de clareza. Não basta a mente ter se tornado estável; também é importante haver clareza. Nos ensinamentos Mahamudra, esses aspectos são descritos como ne cha, o aspecto da estabilidade, e sal cha, o aspecto da clareza. Uma mente estável, mas sem clareza, é deficiente. Tanto a clareza mental como a estabilidade precisam estar presentes. Se perseguirmos esse objetivo, mesmo quando surgirem pensamentos e emoções, a estabilidade e a clareza da mente não serão perturbadas.